A Companhia dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou o início da segunda fase do projecto destinado a duplicar a linha ferroviária de Ressano Garcia, na região sul do país. Esta fase do projecto, com um orçamento de 160 milhões de dólares, está prevista para começar em Julho.
A linha ferroviária de Ressano Garcia é a principal ligação ferroviária entre Moçambique e África do Sul, conectando o Corredor de Maputo aos mercados regionais e internacionais. Segundo um comunicado da CFM, após a primeira fase, que quase duplicou a capacidade anual de 13 milhões para 24 milhões de toneladas, “esta nova expansão visa aumentar ainda mais a eficiência logística.”
O concurso para seleccionar o empreiteiro responsável pelas obras de infraestrutura encontra-se nas fases finais, e o vencedor deverá ser anunciado no próximo mês. A expansão da rede é considerada crucial, sendo que o crescimento futuro das infraestruturas deve ser acompanhado de medidas de resiliência climática, conforme indicado no documento.
Este investimento surge na sequência das severas inundações que afectaram a linha do Limpopo em Fevereiro passado, resultando numa paragem de três meses e prejuízos de 12 milhões de dólares. No total, devido aos danos provocados pelas chuvas intensas que afectaram a rede ferroviária do sul, a empresa registou perdas superiores a 40 milhões de dólares. As cheias impactaram também as redes ferroviárias do Limpopo, Ressano Garcia e Goba, que ligam Maputo a Zimbabué, África do Sul e Eswatini, respectivamente.
Porém, a CFM tem mostrado sinais de recuperação. No primeiro trimestre deste ano, o transporte de passageiros aumentou em 95%, totalizando 151,400 viajantes, enquanto o tráfego de mercadorias cresceu 14,9% para 3,6 milhões de toneladas, representando cerca de 20% da meta anual.
A recuperação ressalta a importância estratégica do sector de transportes como pilar da economia nacional, especialmente num contexto em que as demandas de comércio transfronteiriço continuam a crescer. Operadores logísticos regionais têm dependido fortemente deste corredor para evitar atrasos em outros portos da região, tornando a modernização da rede crucial para o comércio no sul de África.
Este projeto está alinhado a um plano mestre mais amplo do governo para investir quase 190 milhões de euros na modernização das ferrovias até 2030, com o objetivo de estabelecer uma rede logística altamente fiável e moderna para a região.



