A fronteira de Cuchamano, localizada no distrito de Changara, na província de Tete, está a revitalizar-se economicamente, impulsionada pelas subvenções do projecto Conecta Negócios, financiado pelo Ministério das Finanças com o suporte do Banco Mundial.
Este investimento viabiliza a construção de um centro logístico e fortalece as relações económicas na região.
O financiamento disponibilizado tem permitidos a Pequenas e Médias Empresas (PMEs) a realização de investimentos em infra-estruturas cruciais, solidificando o Corredor da Beira e aproximando os empresários nacionais dos megaprojectos que estão a ser desenvolvidos na área.
Uma das iniciativas mais relevantes é a edificação de um centro logístico pela empresa CLS Grupo Logistic, situado junto ao posto fronteiriço de Cuchamano, que se destaca como uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias entre Moçambique, Zimbabwe, África do Sul, Zâmbia, Malawi e outros mercados da África Austral.
Este investimento ocorre num momento em que o Corredor da Beira está envolvido em projectos avaliados em mais de 400 milhões de dólares norte-americanos, focados na expansão das infra-estruturas portuárias, construção de um porto seco e melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários com a finalidade de transformar a região num centro logístico regional.
Nelson Ambrosio Tsukane, director da CLS Grupo Logistic, explicou à AIM que este empreendimento foi planeado para atender ao aumento do tráfego de camiões na fronteira. “Estamos a construir um parque de estacionamento para camiões, especialmente aqueles que cruzam a fronteira entre Moçambique e Zimbabwe. Este espaço servirá para aguardar os trâmites fronteiriços, realizar transferências de carga e outras operações logísticas,” indicou.
O parque terá capacidade para cerca de 100 camiões, servindo em particular os veículos que transportam amostras minerais e cargas associadas aos megaprojectos mineiros em Tete, como os da Vulcan e Jindal, cujos investimentos superam os 2,5 mil milhões de dólares.
“Temos contratos com várias empresas de mineração. Os camiões recolhem e transportam amostras que são enviadas para laboratórios na África do Sul e noutras nações. Este parque facilitará a logística de travessia e diminuirá os problemas associados aos procedimentos aduaneiros,” acrescentou Tsukane.
A importância do ponto de Cuchamano estende-se para lá das fronteiras moçambicanas, uma vez que a infraestrutura liga corredores que abarcam a África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e Tanzânia, constituindo uma alternativa significativa às rotas tradicionais e reforçando a integração regional.
Dentro deste contexto, o projecto Conecta Negócios foca no apoio às PMEs nacionais. Joel Sauane, especialista em desenvolvimento do sector privado, mencionou que os financiamentos têm o objetivo de estimular a criação de empresas capazes de fornecer bens e serviços aos grandes investimentos.
“Nós procuramos assegurar que este financiamento impulsione os investimentos das nossas PMEs, para que possam atender às necessidades dos megaprojectos,” afirmou.
Numa primeira fase, foram financiadas 26 empresas nas províncias de Tete, Nampula e Cabo Delgado, com um montante aproximado de 560 milhões de meticais. Deste total, cerca de 176 milhões de meticais foram destinados a oito empresas da província de Tete, atuando em sectores como logística, transporte, agronegócio, restauração e prestação de serviços.
O responsável destacou que o programa já capacitou mais de 7.200 microempresas nas províncias de Tete, Nampula e Cabo Delgado, sendo 1.723 provenientes de Tete, em áreas como empreendedorismo, gestão financeira, competitividade verde, inclusão de género e marketing digital.
“O Governo reconheceu a necessidade de criar esta oportunidade de financiamento para potenciar as PMEs locais, aumentar a sua competitividade e gerar novos empregos no país,” sublinhou.
A importância desta iniciativa ganha nova dimensão com a recente aprovação pelo Conselho de Ministros do lançamento de um concurso público internacional para modernizar as fronteiras de Calómuè e Zóbuè, em Tete, através de parcerias público-privadas. Esta medida visa facilitar a circulação de mercadorias e passageiros nos corredores da Beira e de Nacala, solidificando Moçambique como uma plataforma logística regional.




