O Ministério da Saúde (MISAU) de Moçambique enfrenta uma nova crise relacionada com os médicos estagiários, que protestam contra o atraso de mais de seis meses nos pagamentos de subsídios.
Após os estudantes da Universidade Zambeze terem realizado acampamentos em frente ao MISAU em protesto por motivos semelhantes, agora são os alunos do 6.º ano do curso de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane que se manifestam.
Os estudantes, que estão a realizar um estágio clínico na cidade de Maputo, expressam a sua insatisfação com a falta de pagamento dos subsídios acordados nos contractos estabelecidos com o MISAU. De acordo com uma publicação da Carta de Moçambique, os estagiários afirmam que o contracto previa pagamentos mensais durante o período de estágio, mas até ao momento não receberam qualquer valor.
A situação está a impactar directamente as condições de permanência e o desempenho académico e profissional dos estudantes. “A maior parte de nós vem das províncias. Não temos fundos suficientes e muitos familiares não têm condições para suportar despesas com renda, alimentação e aquisição de material de protecção individual para o campo de estágio”, declarou uma das estudantes.
Os manifestantes relataram que, ao longo dos últimos meses, tentaram estabelecer contacto com as entidades competentes, mas as respostas foram limitadas a promessas de regularização dos pagamentos “na próxima semana”, sem resultados concretos. Em uma das mais recentes tentativas de diálogo, a reunião com representantes do MISAU terminou sem qualquer encaminhamento efectivo para a resolução do problema.
Além das dificuldades financeiras, os futuros profissionais de saúde alertam para o impacto negativo que a situação pode ter na qualidade da assistência prestada aos pacientes. “É difícil trabalhar sem condições mínimas. Passamos longas horas em serviço sem alimentação adequada e sem recursos para garantir a nossa própria protecção. Como podemos cuidar dos pacientes se nós próprios estamos vulneráveis?”, questionaram.
O grupo de estagiários, que inclui mais de 60 estudantes, exige o cumprimento do contrato assinado com o MISAU. “Não estamos a pedir favor. Estamos a exigir aquilo que é o nosso direito. Queremos uma resposta concreta e o cumprimento do que foi acordado”, afirmaram, sublinhando a insatisfação com os esclarecimentos recebidos até agora das autoridades e aguardando uma solução efetiva.
Este protesto representa mais um episódio de insatisfação entre os médicos estagiários em Moçambique, que já haviam realizado duas greves anteriormente devido a dívidas e atrasos nos pagamentos.




