O sector privado moçambicano apela à urgente necessidade de acelerar a industrialização no país, defendendo a adopção de um modelo que priorize a transformação local das matérias-primas.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) alertou que a continuação da exportação de produtos em bruto poderá resultar na perda de valiosas oportunidades de crescimento económico e de criação de riqueza.
Álvaro Massingue, presidente da CTA, destacou que o principal desafio do país transcende a mera produção, necessitando de um enfoque na transformação dos recursos disponíveis. Na sua intervenção na feira económica, realizada na segunda-feira, Massingue enfatizou a importância de criar uma cadeia integrada de industrialização que compreenda todas as etapas, desde a produção até à exportação de produtos acabados.
As feiras económicas foram identificadas como importantes plataformas que incentivam a dinamização da economia, estabelecendo ligações entre produtores, investidores e consumidores, promovendo novas oportunidades de negócios. Massingue sublinhou que a FENA (Feira Nacional de Agricultura) está a afirmar-se cada vez mais como um espaço estratégico para a promoção empresarial e captação de investimentos na província de Nampula.
No entanto, o presidente da CTA reconheceu que o contexto económico actual é complicado, caracterizado por dificuldades no acesso ao financiamento, custos de produção elevados e crescente concorrência nos mercados internacionais. A estabilidade e a competitividade são desafiadas por limitações logísticas, especialmente no que diz respeito aos combustíveis.
Massingue realçou a importância do porto de águas profundas de Nacala e do seu respectivo corredor logístico, apelando à exploração da localização privilegiada de Moçambique como um eixo regional de comércio e indústria. Ele argumentou que a expansão das infra-estruturas e a criação de parques industriais poderão potencializar o Corredor de Nacala como um motor vital para o crescimento económico do país.
O Corredor de Nacala deve ser pensado como um desenvolvimento económico e industrial, ligando os mercados interiores ao Oceano Índico e aos mercados asiáticos. O presidente da CTA afirmou que a confederação continuará a colaborar com o Governo e parceiros de desenvolvimento para promover um ambiente de negócios que favoreça a industrialização e a criação de emprego.




