A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre um novo surto da variante do vírus Ébola, conhecida como Bundibugyo, que já resultou na morte de 131 pessoas, sendo 129 na República Democrática do Congo (RDC) e duas no Uganda.
O surto tem se mostrado particularmente preocupante, com uma taxa de mortalidade próxima de 40% entre os infetados em apenas uma semana.
O primeiro caso documentado foi o de uma enfermeira que faleceu no dia 24 de Abril em Bunia, na província de Ituri, apresentando febre e hemorragias internas. No entanto, o resultado oficial só foi confirmado duas semanas depois, quando outras pessoas já haviam tido contacto com a enfermeira, cujo corpo foi repatriado para sua terra natal, Mongbwalujá. A variante Bundibugyo, já reconhecida desde 2007, não é detectada pelos testes rápidos disponíveis e, até o momento, não existem vacinas ou medicamentos eficazes para combatê-la.
A detecção tardia dos primeiros casos contribuiu para que o surto se tornasse incontrolável. Os resultados de um laboratório em Goma, localizado em uma zona controlada por rebeldes, chegaram quando a situação já estava crítica. Os hospitais na região, que são em grande parte sustentados por missões internacionais de médicos voluntários, começaram a receber um número crescente de pacientes com febres elevadas e hemorragias internas e externas incontroláveis.
A geografia da região de Ituri agrava ainda mais a situação. A área faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, e possui uma população altamente móvel, afectada por uma grave crise humanitária e de segurança nos últimos anos.
Casos também foram confirmados em Kampala, a capital do Uganda, que possui um aeroporto internacional e serve como um ponto de acesso ao resto do mundo. A combinação desses factores aumenta as preocupações sobre a propagação do vírus para além das fronteiras.



