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Mais de 30 moçambicanos vivem ao relento após fugirem de ataques xenófobos na África do Sul






Mais de 30 cidadãos moçambicanos encontram-se a viver ao relento há quase um mês junto à fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo, após terem fugido de ataques xenófobos na África do Sul.

Muitos destes indivíduos estão sem meios para regressar às suas zonas de origem, enquanto outros perderam o contacto com as suas famílias.

A maioria destes cidadãos estava legalmente estabelecida no país vizinho e, segundo relatos não gravados, perderam tudo o que tinham conquistado ao longo de anos de trabalho. O administrador do distrito da Moamba, Carlos Mussanhane, assegurou que estão a ser envidados esforços para apoiar os regressados, mas lamentou profundamente a situação que estão a enfrentar.

“Temos cidadãos que saíram de Moçambique em 1970, 1980, e que já não sabem o que significa o lugar onde viveram. Neste momento, temos dois idosos que apenas sabem que são do bairro 25 de Junho, mas não conseguem indicar onde exactamente. Estamos a prestar apoio para podermos localizar as famílias, mas temos consciência de que ainda receberemos mais pessoas”, afirmou o administrador.

Carlos Mussanhane relatou a crítica situação na África do Sul, mencionando que é desolador saber que alguém foi expulso de casa durante a noite. “É triste saber que alguém dormia e foi acordado por alguém que disse para desaparecer do seu país. Temos relatos de pessoas que tomavam banho e não tiveram tempo de se vestir. É angustiante imaginar um homem ou uma mulher a correr nus, apenas porque alguém os está a mandar embora, alegando que lhes estão a roubar o emprego”, acrescentou.

As autoridades governamentais moçambicanas têm reiterado a necessidade de não retaliar contra os actos xenófobos. A violência xenófoba já resultou na morte de 11 moçambicanos, de acordo com dados oficiais. Além disso, dois cidadãos ficaram gravemente feridos em um ataque armado na província sul-africana de Gauteng, relacionado com a violência contra imigrantes. Regista-se também o retorno de 1.363 cidadãos moçambicanos que já foram repatriados.

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Lillian Morgan

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