Os Estados Unidos iniciarão a retirada da África do Sul de um dos principais programas globais de combate ao HIV/Sida. A informação foi divulgada pelo Departamento de Estado, conforme reportado pela CNN Portugal e o New York Times.
O programa em questão é o PEPFAR, ou Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Combate à Sida, criado em 2003 durante a presidência de George W. Bush. Este programa tem financiado, ao longo de mais de duas décadas, iniciativas de prevenção, testes, tratamento e formação de equipas de saúde em vários países africanos.
Na África do Sul, onde a epidemia de HIV é a mais elevada do mundo, a decisão de cortar o financiamento tem um impacto significativo. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de oito milhões de pessoas vivem com o vírus no país.
A decisão de cortar o apoio foi comunicada por email e atribuída a “um funcionário do Departamento de Estado”. Washington justifica o corte com a falta de “progressos demonstráveis” por parte de Pretória em relação às exigências políticas impostas pela administração Trump. Embora o responsável não tenha especificado quais eram essas exigências, a administração norte-americana já havia solicitado anteriormente ao Governo sul-africano que revogasse uma lei que permite a expropriação de terras sem compensação, que isentasse empresas dos Estados Unidos das regras de promoção económica da população negra, e que evitasse aproximações a países considerados adversários.
Donald Trump também tem criticado o Governo sul-africano por, segundo ele, “discriminar os africânderes”, a minoria branca descendente de colonos neerlandeses, chegando a afirmar que estes estavam a ser “vítimas de um genocídio”.
Conforme relatado pelo funcionário do New York Times, os Estados Unidos “avisaram várias vezes” a África do Sul de que o financiamento do PEPFAR seria cortado se o Governo “não respondesse às preocupações” de Trump. Em 2025, a África do Sul recebeu cerca de 213 milhões de dólares (aproximadamente 186 milhões de euros) dos Estados Unidos para programas de HIV /Sida.
O funcionário do Departamento de Estado concluiu afirmando que a África do Sul é “um país de rendimento intermédio” e está “mais do que capaz de apoiar os seus próprios programas de saúde”.




