Mais de 1.500 trabalhadores do Conselho Municipal de Quelimane iniciaram hoje uma greve por tempo indeterminado, reivindicando o pagamento de sete meses de salários em atraso.
A paralisação resultou no encerramento de vários serviços municipais, inviabilizando o atendimento ao público e forçando a edilidade a prestar atenção às exigências dos grevistas.
Celestino Albano, representante da comissão dos trabalhadores, afirmou que as atividades só serão retomadas quando as reivindicações forem atendidas. O porta-voz dos funcionários denunciou que tentativas de diálogo para resolver a crise salarial fracassaram, principalmente devido à ausência do presidente do município, Manuel de Araújo, nos encontros agendados.
O agravamento das condições de vida dos trabalhadores foi destacado por Albano, que mencionou dificuldades alimentares e familiares, citando o próprio caso em que seu filho sofre de anemia pela falta de alimentação adequada. Além disso, os grevistas acusam o governo municipal de má gestão das receitas, questionando a destinação dos valores arrecadados nos mercados e nos transportes públicos.
Os trabalhadores apelam agora à intervenção do Governo e do Gabinete Central de Combate à Corrupção para investigar o destino das receitas municipais provenientes dos transportes. O último pagamento aos funcionários foi realizado em Dezembro do ano passado, quando apenas dois meses de salários foram quitados.
Por sua vez, Carlos Jackson, chefe do Gabinete do Presidente do Município de Quelimane, minimizou a situação, considerando a manifestação dos trabalhadores como “normal” face às dificuldades. Ele justificou os atrasos salariais como consequência de uma demora no desembolso do Fundo de Compensação Autárquica pelo nível central. Sobre os trabalhadores sazonais, Jackson indicou que o problema está ligado à transição do sistema de pagamento do e-SISTAFE para o e-SISTAFE Municipal.



