O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, sublinhou que a industrialização da cadeia de valor do caju é uma condição essencial para alcançar a independência económica e fortalecer a capacidade produtiva nacional.
Durante a cerimónia de lançamento do livro intitulado “Economia do Caju em Moçambique: O Contexto das Políticas de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização”, de autoria do académico e membro sénior do partido no poder, Frelimo, António Niquice, Chapo salientou que “produzir não é suficiente, é necessário transformar. Exportar recursos não é o bastante, é preciso agregar valor”. O Presidente recordou que Moçambique foi, em tempos, o maior produtor mundial de castanhas de caju, mas actualmente ocupa uma das sete primeiras posições.
Chapo enfatizou que o verdadeiro desenvolvimento ocorre quando os recursos nacionais são convertidos em indústria, criação de emprego, inovação e melhoria das condições de vida da população. O chefe de Estado destacou que a reindustrialização do caju representa uma oportunidade concreta para a inclusão económica e o empoderamento das mulheres.
Na sua intervenção, Chapo referiu-se à obra de Niquice como uma contribuição científica e patriótica significativa para o debate sobre industrialização, soberania económica e a transformação estrutural da economia nacional. O livro propõe uma reflexão profunda sobre os desafios históricos do país e os caminhos necessários para construir uma economia mais resiliente, moderna e produtiva.
O Presidente apelou ainda às universidades, investigadores e jovens moçambicanos a aprofundarem o estudo da economia nacional, com o intuito de gerar conhecimento orientado para o desenvolvimento do país. “A transformação estrutural da nossa economia começa também com a produção de ideias. A independência económica de Moçambique dependerá da capacidade nacional de transformar recursos naturais em resultados concretos para o povo”, afirmou.
Durante uma visita ao distrito de Ribáuè, na província do Nampula, Chapo realçou a necessidade de investir em uma comercialização agrícola mais eficiente, organizada e previsível, como forma de reduzir a vulnerabilidade económica das famílias rurais. O fortalecimento dos mecanismos de comercialização foi descrito como uma resposta estratégica aos desafios enfrentados pelos produtores nacionais, especialmente em relação aos impactos das alterações climáticas.
“Uma comercialização agrícola mais eficiente é um componente essencial para responder à vulnerabilidade económica das famílias rurais”, reiterou. Apesar da resiliência demonstrada pelos agricultores moçambicanos, Chapo observou que o sector permanece exposto aos efeitos de secas, inundações, ciclones e outros choques climáticos.
Segundo o Presidente, cerca de 441.000 hectares foram afectadas por eventos climáticos extremos durante a actual campanha agrícola, resultando na perda de aproximadamente 54.000 hectares, o que impactou quase 300.000 produtores em todo o país. “Por trás desses números estão famílias, sonhos e histórias de vida”, concluiu.



